Editorial 20/08/2011

Publicado por MACAM em 21 de agosto de 2011

http://www.acquasul.com/acquamenu.htm

Vamos lá, estive ausente por problemas pessoais, dando um tempo…

Acho que o que me pegou de surpresa, foram as últimas notícias e o encaminhamento dado ao futuro de nossa água mineral. Fiz um balanço e gostaria de expor o que é benéfico sob a minha ótica e o que passa a me preocupar demais.

Contras:

  • Dependendo do marketing e de quem vai explorar, o direcionamento será sem dúvida para a superexploração;
  • Não consigo ver uma empresa de economia mista, com grande capital estrangeiro, como a COPASA, preocupada com esta cidade a ponto de terem vindo para ajudar a erguer o turismo local. Existe uma coisa que se chama produtividade, e consequentemente lucratividade, que não vai passar batido por uma empresa quase privatizada…;
  • Potência da bomba alemã instalada, que em teste de bombeamento parou literalmente a água toda da Roxo Rodrigues, na tentativa de fazer 1.200  litros hora;
  • Capacidade do prefeito em buscar verbas e colocar Cambuquira no mapa, é inegável, o que já nos rendeu bons frutos, como verbas e divulgação na mídia, mas visceralmente contra a propaganda de se usar uma água nobre e medicinal, com o risco de exaurir o aqüífero, para colocá-la na Copa do mundo ou similares;
  • Eventos, festas e subsídios vários serão usados para respaldar a exploração. É comum fazerem inclusive altos projetos ambientais também e para uma cidade carente há anos de uma estrutura turística e reembolso automático de lucros, claro que inocentemente, serão bem vindos;
  • Divulgação midiática da água de Cambuquira, sem vender a cidade junto, para o turista;
  • Disputa com a Perrier? Interessante, pois normalmente a mesma empresa põem dois produtos concorrendo com eles mesmos… que imaginação a minha…

A fonte Roxo Rodrigues tem vazão muito pequena!

Prós….

  • Crenoterapia no Parque das águas e SUS.

Perguntas a Prefeitura e Câmara:

  1. Quais os royalties destinados a Cambuquira, visto que já começaram a engarrafar?
  2. Qual a litragem oficial a ser engarrafada, usando a vazão espontânea das fontes?
  3. Preço oficial da garrafa, R$4,50???
  4. Quem vai fiscalizar a COPASA?

Fiz um esforço danado para ser otimista, mas para falar a verdade, que é meu maior defeito e também, virtude, não existem provas consistentes para que me sinta confortável diante da exploração das águas minerais de Cambuquira, pelo menos por enquanto. Faltam respostas e mais que isso, o histórico de exploração de São Lourenço, me ensinou muito.

Se amanhã, num futuro próximo, tivermos a perda de gás das fontes, rebaixamento de aquifero, se perdermos o sabor diferenciado de nossas águas minerais, mas com turismo e desenvolvimento invejável na região do Circuito das águas, que esta geração que aí está usufrua, lembrando-se sempre que falando em termos de direito difuso, destruíram a possibilidade de seus filhos e netos, de construirem seu próprio mundo saudável como seus pais e avós tiveram no passado. Se se aventurarem a achar que isso é progresso, abram seus computadores, estudem o assunto profundamente e verão como o primeiro mundo, trata estes assuntos com a seriedade e respeito, que nós mesmo sendo filhos de Cambuquira, não tivemos!

Marilia Noronha


Ação Civil Pública contra a DANONE em JACUTINGA!

Publicado por MACAM em 21 de agosto de 2011

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, pelo Promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente ao final assinado, em conformidade com os arts. 127, caput, e 129, III, ambos da Constituição Federal, e art. 1º, IV, da Lei Federal n.° 7.347/85, vem, respeitosamente, à presença de V. Exa., propor a presente

AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, COM PEDIDO LIMINAR, em face de:

1) CPN MINERAÇÃO LTDA., sociedade empresária limitada com sede na cidade de Jacutinga/MG, na Fazenda Sete de Abril, bairro Alto Alegre, inscrita no CNPJ/MF, sob o número 05.396.051/0001-06, representada por seus sócios, Carlos Alberto Pinto Neto, brasileiro, casado, engenheiro civil, portador da Cédula de Identidade RG nº. 6.855.712-SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob o nº. 005.637.018-03, residente e domiciliado à rua Professora Laís Bertoni Pereira, nº. 40, 12º andar, na cidade de Campinas/SP; e Neide Maria Vaz de Arruda, brasileira, casada, portadora da Cédula de Identidade RG nº. 110.948.936-6-SSP/SP, inscrita no CPF/MF sob o nº. 150.050.298-77, residente e domiciliada à rua Professora Laís Bertoni Pereira, nº. 40, 12º andar, na cidade de Campinas/SP;
2) DANONE LTDA, sociedade empresária limitada, com sede na Av. Paulista, nº. 2.300, 5º andar, Edifício São Luiz Gonzaga, Cerqueira César, CEP. 01310-300, na cidade de São Paulo/SP, inscrita no CNPJ/MF sob nº. 23.643.315/0001-52, representada por Maurício Câmara, brasileiro, casado, engenheiro, Diretor Presidente da sociedade empresária Danone Ltda, portador da Cédula de Identidade RG nº. 12.187.096-0-SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob nº. 154.033.398-17, residente e domiciliado na cidade de São Paulo, com escritório na Av. Paulista, nº. 2.300, 5º andar, Edifício São Luiz Gonzaga, Cerqueira César, CEP. 01310-300, na cidade de São Paulo/SP; e Sueli Gomes Sevilha, brasileira, casada, contadora, Diretora Vice-Presidente da sociedade empresária Danone Ltda, portadora da Cédula de Identidade RG nº. 14.167.277-SSP/SP, inscrita no CPF/MF sob nº. 044.713.848-05, residente e domiciliada na cidade de São Paulo/SP, com escritório na Av. Paulista, nº. 2.300, 5º andar, Edifício São Luiz Gonzaga, Cerqueira César, CEP. 01310-300, na cidade de São Paulo/SP; e
3) ESTADO DE MINAS GERAIS, pessoa jurídica de direito público interno (ante a ausência de personalidade jurídica do Conselho Estadual de Política Ambiental), cuja Advocacia Geral está sediada na Praça da Liberdade, S/Nº – Prédio da Secretaria de Justiça, 1º andar, onde deverá ser citado, pelas razões fáticas e jurídicas a seguir expendidas:

Clique aqui para ler a Ação Completa em PDF.

 


Dez Anos Depois

Publicado por MACAM em 23 de julho de 2011

Nestle Waters faz palestra na faculdade de São Lourenco sobre Sustentabilidade.

Na entrada do auditório o prefeito distribuía água São Lourenço aos visitantes.
Abriu “os trabalhos” falando de governo, de parcerias para o aterro sanitário e do Parque das Águas , aumento de bilheteria em 34%, etc.

Laerte Dentini,  RH da Nestlé Waters. fez apresentação dos programas sociais da Nestlé: Nutrir,  35 criancinhas da escola, hospital, festa de Agosto, carnaval, reciclagem de lixo etc.
Depois foi a vez  de Patrícia  apresentar a “floresta nova” que foi  parte do acordo com o MP para  fechar  a  criminosa água Pure Life ( mas nao tocou nesse assunto). Mostrou fotos das fases do trabalho de reflorestamento da área desde o começo, em meados de 2007, até agora.

O geólogo Reginaldo Gomes, da AMBIGEO, consultor da Nestlé Waters desde o tempo da Pure Life, apresentou 2 cineminhas: um sobre o ciclo da água e outro sobre água mineral. Faria sentido no primeiro ano do primeiro grau de uma escola!
Mostrou filmagens  de dentro dos poços do Parque das Aguas ( revestimento, cone de depressão, etc), e  os testes de bombeamento recentes de algumas fontes : 15 dias consecutivos com a presença do  DNPM( Departamento Nacional de Produção Mineral).

Segundo o geólogo,  nosso parque  não tem mais vazão espontânea: toda a água, tanto para engarrafamento, quanto para as fontes, vêm de  poços tubulares profundos. Mostrou em slides o perfil de um deles : revestimento em aço , método de  limpeza, etc. etc.

Revelou também  que a empresa retira o gás das águas para o engarrafamento (será que alguma vez houve interrupção?), e  que o parque agora  tem 15 fontes! Eram 7, o resto deve ser intra-muros. O pior é que não existe nenhuma legislação contra retirar o gás das fontes! Por isso, nossas águas perderam o sabor de outrora: desmineralização e falta de gás!
Algumas perguntas vieram finalmente da platéia super apática. Se estávamos numa universidade, que fim levaram os alunos?!

Alguém pergunta: “Quantos litros vocês retiram por ano?” Reginaldo pensa um tempo e responde: 25 milhões de litros (muito pouco comparado à Pure Life, que chegou a 1 milhão de litros por dia!).

Um mapa  do portal do DNPM foi apresentado com uma diferença:  o manifesto de lavra da Nestlé da concessão de 1935  teve aumento significativo recentemente! Resposta da Nestlé: Na hora da “digitalização”, o DNPM entendeu que a verdadeira  área era essa do mapa!  Todos comentaram sobre esse “favorecimento digital”.

MUITO ESTRANHO! Mas muito fácil de entender, não mesmo, leitor? Não é por acaso que o DNPM é conhecido no país como o Departamento Nacional de Proteção Mineral (proteção às empresas predadoras, claro!).

Um inocente ajuste digital aumentou a área de manifesto de lavra da Nestlé!!!

Movimento Amigos do Circuito das Águas Mineiro.


AQUÍFEROS: “Circuito das Águas Versus Guarany”

Publicado por MACAM em 7 de junho de 2011

É verdade que o aqüífero Guarany “passa” pelo Circuito das Águas?!

Não! É inviável tanto geográfica (localização) quanto geneticamente (Rochas hospedeiras).

São entidades totalmente distintas, inclusive no quesito idade das rochas que os hospedam. As rochas componentes do aqüífero “Circuito das Águas” têm suas idades referidas ao pré-cambriano (mais de 1.000.000.000 de anos) enquanto as do aqüífero “Guarany” são bem mais ‘novas’ ou seja pertencem ao paleozóico/cenozóico (de 65.000.000 a 500.000.000 de anos, aproximadamente). Portanto, a idade máxima das rochas componentes do aqüífero “Guarany” é, quando muito, a metade da idade daquelas rochas atribuídas ao aqüífero “Circuito das Águas”.

Quanto à gênese (origem) e natureza das rochas, as diferenças são também enormes. Enquanto o aqüífero “Circuito das Águas” liga-se à formação da Serra da Mantiqueira e compõe-se, essencialmente, de rochas gnaissicas e intrusões alcalinas, o “Guarany” representa um dos maiores desertos que já existiram nesse planeta – “deserto Botucatu” – e suas rochas são denominadas arenitos, originados das areias do referido deserto. Até o início da década de 90, o aqüífero era conhecido como aqüífero da Bacia do Paraná, somente quando foi criada uma comissão para estudá-lo, devido à necessidade de conhecê-lo melhor, para poder preservar a qualidade e quantidade de suas águas, é que passou a se chamar aqüífero Guarany em homenagem aos índios Guarany, que ocuparam, aproximadamente, a mesma área hoje ocupada pelo aqüífero. Sua formação (aqüífero) deu-se, quando houve a separação continental África /América do Sul, a cerca de 200.000.000 de anos. Durante a separação continental, milhares de km³ de basalto (rocha de origem vulcânica) extravasaram através de fraturas imensas (denominadas geoclases) surgidas na crostra terrestre durante esse evento. Tais rochas vulcânicas, os basaltos, cobriram as areias do “deserto Botucatu”. Com o resfriamento dessas rochas, houve o aparecimento de intenso fraturamento (fraturas resultantes de choque térmico) nessas e nas rochas subjacentes, então formadas e compostas pelos arenitos. Houve então a penetração das águas pluviais (chuvas) vindo a se constituir, nos dias atuais, em uma das maiores reservas de água doce do planeta, que é o tão propalado aqüífero Guarany. Este aqüífero distribui-se pela Argentina, Paraguai, Uruguai e, principalmente, pelo Brasil, onde é encontrado nos quatro Estados da região sul (RS, SC, PR e SP). Em MG, poderemos encontrá-lo no Triângulo mineiro em Goiás, na parte sul do Estado e em MT do Sul, na sua parte SE (sudeste). Na verdade, o aqüífero “Guarany” é composto por inúmeros aqüíferos menores, que se justapõem em níveis diferentes, resultado de uma movimentação da crosta terrestre (movimentação tectônica), que formou blocos altos e blocos baixos (horsts e grabens). Resumidamente, este é o aqüífero “Guarany”.

Já o aqüífero do Circuito das Águas teve sua origem ligada ao soerguimento da mega estrutura denominada Serra da Mantiqueira. A gênese (origem) da Serra se liga ao ciclo Brasiliano (650.000.000 de anos) quando houve o início da formação da mega estrutura. Entretanto, a Serra como Serra mesmo, só ficou pronta mais recentemente e tem, aproximadamente, a mesma idade da separação continental, ou seja: 200.000.000 de anos. Em outras palavras, os dois aqüíferos são, aproximadamente, contemporâneos. As rochas que os compõem é que tem idades muito diferentes. O que conferiu a capacidade de armazenar água nos dois aqüíferos também se relaciona a fatores diferentes, quais sejam: porosidade nos arenitos e fraturamento nos gnaisses e rochas alcalinas.  A porosidade e permeabilidade é mais ou menos intrínseca aos arenitos. Já os gnaisses e rochas cristalinas têm porosidade e permeabilidade intrínsecas baixíssimas, portanto, naturalmente não constituem aqüíferos. Aí é que está a singularidade do nosso aqüífero: ele existe graças a uma série de fatores singulares que se aglutinaram para formar a Serra da Mantiqueira e o aqüífero “Circuito das Águas. Como já vimos, as rochas cristalinas que compõem o nosso Aqüífero, não armazenam e, conseqüentemente, não seriam produtoras de águas, caso não tivesse passado por , no mínimo três eventos de movimentação da superfície terrestre (movimentações crustais ).Uma no cretáceo, outra no oligoceno e uma última no final do Terciário. Estas movimentações que atingiram a Serra da Mantiqueira e arredores, fraturaram intensa e continuamente suas rochas. Por outro lado, o movimento ascensional (de subida, formação) da Serra da Mantiqueira, ainda não cessou completamente, sendo muito lento e imperceptível aos sentidos humanos, porém de importância imensa para que as rochas cristalinas sejam boas produtoras de águas, pois não permitiram a “cicatrização” (fechamento) das fraturas já citadas e desenvolvidas ao  longo do tempo geológico. São essas fraturas semi-abertas, não cicatrizadas que permitem a descida, acúmulo e transferência de um ponto a outro, das águas pluviais (águas da chuva). As fraturas “dariam” a porosidade e a interconexão entre elas, a permeabilidade. E olha que falamos somente de duas singularidades (movimentação crustal/fraturamento, ascensão remanescente/fraturas abertas). Existem muitas outras singularidades no Circuito das Águas que permitiram a sua implantação em nossa região e não em outro lugar. Em uma próxima oportunidade falaremos sobre a importância da  turfa (barro preto ou “tijuco”) para a existência e manutenção do gás das nossas águas minerais. Como podemos ver, a natureza, através do  Criador, caprichou ao implantar o aqüífero de águas minerais nesse maravilhoso pedaço de chão que “escorre” pela aba norte da Serra da Mantiqueira, atingindo cerca de 100km de distância da sua linha de cumeeira.

São Lourenço, setembro de 2010

Gabriel Tadeu Franqueira Junqueira- Eng° Geólogo CREA-MG n° 17.772/D

Sócio-gerente e diretor da ITAMBIENTAL-abertura de poços tubulares e consultori


Tese de Josiane Teresinha Matos de Queiroz

Publicado por MACAM em 7 de junho de 2011

Abaixo link para acessar a Tese de Josiane Teresinha Matos de Queiroz, com o título:

O campo das águas envasadas: determinantes, políticas públicas, consequências socioambientais, qualidade das águas e percepções.

Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Área de concentração: Saneamento

Linha de pesquisa: Políticas públicas e gestão em saneamento, meio ambiente e recursos hídricos

LINK PARA DOWNLOAD.


Uma mentira conveniente e perigosa

Publicado por MACAM em 7 de junho de 2011

ÓRGÃOS (IN)COMPETENTES: “NÃO HÁ LEGISLAÇÃO PARA O GÁS CO2

E não há legislação para o gás, mesmo! Isto é “uma verdade inconveniente”.

A “mentira conveniente” é que o gás não faz parte da composição química das águas minerais.

É sobre essa mentira conveniente que queremos falar.

Indiscutivelmente, o gás CO2 é parte quimicamente integrante das nossas águas minerais CARBOGASOSAS e participa ativamente das reações químicas complexas que se processam, continuamente, entre os elementos químicos cedidos pelos minerais das rochas para as águas, durante o processo de “mineralização” das mesmas.

O gás CO2 é “filho” e elemento ativo e participante da imensa família de elementos químicos que compõem as ÁGUAS MINERAIS CARBOGASOSAS do Circuito das Águas. Este fato é inegável!

Ele é o responsável, dentre várias outras ações catalisadoras, pela acidificação (queda do PH) de nossas águas minerais. Também participa e é elemento importante na ação medicamentosa das nossas águas

Dizer que o CO2 não é parte intrinsecamente integrante das nossas águas minerais carbogasosas só pode ser resultado de uma ignorância total – inadmissível vindo de onde tem vindo – ou então significa uma tremenda “mentira conveniente”. Só pode ser isso!

Essa mentira foi tão conveniente, que permitiu bombear poços – poço Primavera, em São Lourenço – só para aproveitar o gás CO2 e jogar fora as águas! Que falta de respeito! E depois saem por aí – pela imprensa – se dizendo respeitadores das comunidades onde atuam, preservadores do meio ambiente enfim, uns santos! A verdade é que não respeitam nada e nem ninguém. São uns predadores ambientais e já deram fartas mostras disso aqui em São Lourenço. Chega, basta!

Na cidade de São Lourenço, o Ministério Público – Dr. Pedro Paulo Barreiros Aina – colocou uma cláusula no acordo feito com a Nestlé, proibindo a retirada de gás de qualquer poço inserido no interior do Parque das Águas, para reforçar o gás das águas engarrafadas. Ótimo! Mas e fora do Parque? E nas outras Estâncias Hidrominerais? Salve-se quem puder!

Raciocinemos juntos: pela Constituição Federal, cabe à União legislar sobre recursos minerais. O gás CO2 não se encaixa em nenhuma classe de minério, segundo o Código de Mineração vigente não sendo considerado, portanto, algo sob a jurisdição do referido Código.

Os Estados Federados também não se preocuparam com o assunto, mesmo porque não é de sua “competência”. (REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL?).

Pois então, minha gente, O GÁS CO2 DAS NOSSAS ÁGUAS MINERAIS CARBOGASOSAS NÃO TEM EXISTÊNCIA JURÍDICA!

Sendo assim, vale tudo!

Cidadãos do Circuito das Águas Mineiro! Vamos nos mobilizar e cobrar das nossas Câmaras Municipais um posicionamento a respeito do assunto. Vamos criar Leis Municipais – Lei Orgânica do Município – onde o gás CO2 seja contemplado como uma das maiores riquezas ambientais que possuímos. E é verdade. Os repórteres da BBC de Londres, em sua visita à nossa região, ficaram estupefatos quando viram o gás saindo do interior da terra, junto com a água mineral.

O Município pode legislar sobre as questões ambientais, ainda mais quando não está contrariando nenhuma Lei superior, seja Federal, seja Estadual. Simplesmente não há legislação sobre o assunto!

As Leis da natureza desconhecem as “mentiras convenientes” ou as “verdades inconvenientes”. Elas simplesmente atuam segundo princípios estabelecidos através de bilhões e bilhões de anos. Pensemos nisso.

Vamos agir?


Circuito das Águas, a maior e mais completa Província Hidromineral do Sistema Solar

Gabriel Tadeu Franqueira Junqueira

Eng° Geólogo – CREA/MG n° 17.772/D

ÓRGÃOS (IN)COMPETENTES: “NÃO HÁ LEGISLAÇÃO PARA O GÁS CO2”

Seja bem-vindo e participe de nossa luta!

Publicado por MACAM em 7 de junho de 2011

Esta era a Fonte Oriente, a mais antiga do Parque das Águas de São Lourenço, erguida em 1892 e símbolo turístico da comunidade. A destruição do patrimônio secular que a aética empresa Nestlé Waters empreende no Parque faz coro com a destruição das águas das fontes.A Fonte Magnesiana, a mais consumida pelos usuários e a água mais antiga a ser distribuída no país, secou há mais de três anos. As águas da Fonte Vichy, só existente em São Lourenço e na França, está por um fio. As demais águas vêm sofrendo alterações em sua composição química e perdendo o sabor.

Além disso, a empresa construiu no Parque uma imensa fábrica em local não permitido pela legislação, e também não apresentou EIA/RIMA, o que torna a construção ilegal e sujeita a interdição. E passou sete anos retirando todos os minerais de uma água riquíssima, o que é ilegal no país, para fabricar uma água artificial cuja produção foi finalmente interditada em outubro de 2004.

Os Parques das Águas das estâncias do Circuito são patrimônio coletivo, e suas águas são medicamentosas e servem para o tratamento de doenças. Dizemos NÃO à posse e exploração privada do patrimônio das nossas comunidades por empresas. Diga NÃO junto conosco.

Saiba tudo sobre essa empresa aética que comete crimes ambientais e contra a saúde pública, e sobre os órgãos do governos federal, estadual e municipal que acobertaram e acobertam suas ilegalidades, lendo as matérias e notícias deste sítio.

É chegada a hora de demonstrarmos o nosso repúdio às atividades da Empresa de Águas São Lourenço, que insiste em negar a evidente e continuada agressão ao Parque das Águas e ao meio ambiente da cidade de São Lourenço. Conclamamos você cidadão, para que nos ajude a dizer não e basta à multinacional Nestlé, mediante a discriminação e negativa de consumo dos produtos que oferecem ao consumo público. O boicote é um instrumento democrático e eficaz que nós consumidores temos para fazer a Nestlé rever seu comportamento ilícito

Isso significa um dano, talvez, irreversível ao nosso Parque das Águas, à nossa cidade que vive essencialmente do turismo e, por consequëncia, aos cidadãos que nela moram, dela vivem, e nela depositam suas esperanças de uma qualidade de vida adequada.

Assim como é impossível negar a existência do dano, também é impossível suportar sem resistência a desfaçatez de uma atividade predatória como a dessa multinacional, sem pátria e sem coração, que não tem vergonha de nos subtrair um bem que a natureza nos deu. Não temos dúvida que a justiça se fará mediante a atividade de seus Egrégios Órgãos, mas também não a temos, de que nos cabe o direito de exercermos a legítima defesa , pacífica e ordeira, dos nossos interesses mais essenciais.

É em nome desses interesses legítimos, que conclamamos você cidadão, para que nos ajude a dizer não e basta à multinacional Nestlé, mediante a discriminação e negativa de consumo dos produtos que oferecem ao consumo público. O boicote é um instrumento democrático e eficaz que nós consumidores temos para fazer a Nestlé rever seu comportamento ilícito.

Eis os produtos a serem discriminados e não consumidos:

* Informamos que a marca comercial Reimassas, citada na lista de boicote errôneamente por algum tempo como de propriedade da Nestlé, foi adquirida, no ano de 2001, pela firma EMEGE Produtos Alimentícios. Portanto, podemos comer Reimassas!

Água Mineral São Lourenço

Água Mineral Levíssima

Água Mineral Petrópolis

Água Nestlé Pure Life

Água Mineral Aquarel

Alimentos Nestlé em geral (chocolates,iogurtes, biscoitos, cereais etc.)

Chocolates Garoto

Biscoitos Tostines

Produtos Maggi (são trangênicos inclusive) Rações Purina ( Friskies, Gatsy, Cat chow,Alpo, Bonzo ) etc.

Nescafé

Nestea

Leite de côco Sócoco

Produtos Arcor

Sorvete Movenpick

Sorvete Haagen-dasz

Chocolate Baci-perugina

Massas Frescarini

Massas Buitoni

Forno de minas (Congelados)

Rações Purina (Friskies, Gatsy, Cat chow, Alpo, Bonzo) et

Pilhas Energizer e Eveready

Produtos do Grupo Regon (Sócia da Nestlé)

Rações Megazoo

Água de côco Kero-côco (Caixinha)

Cachaça Vale Verde

Cachaça Minha Deusa

Cosméticos L’Oreal – Lancôme, Helena Rubinstein, Maybelline, Vichy, Redken, Perfume Giogio Armani, Biotherm, Cacharel, Matrix, Kiehl’s, Garnier Nutrisse, Elseve Bálsamo, Colorama, Cacharel, Paloma Picasso, Guy Laroche. Kerastase, La roche -Posa.

Produtos do Laboratório Alcon – Cetaphil, Benzac, Claril, Glautimol, Ionax Scrub, Maxidex, Nutraderm Ionil Rinse e outros. ( Oftalmológicos)

Produtos laboratório Darrow – (www.darrow.com.br)

Produtos Laboratório Galderma – Dermatologia – Proderm, Benzac AC, Cetaphil, Neoxidil, Lactrex Loção, Nutracort, Rosex, Salisoap, Retacnyl, Ortosol P, Salipads, Sabonete Soapex.

Laboratórios Roche – Supradin, Redoxon, Valium, Bactrim, Xenical e outros.

Givaudan S/A - Empresa fabricante de essencias químicas e aromatizantes artificiais (www.givaudan.com)

Produtos da General Mills – Barras e Cereais Trio

 

 


A Nestlé e um “James Bond brasileiro”

Publicado por MACAM em 16 de dezembro de 2008

Num caso de espionagem que está sendo investigado pela Justiça suíça, a empresa de segurança Securitas teria repassado à Nestlé informações sobre a Attac e o ativista brasileiro Franklin Frederick.

A Nestlé também é alvo de críticas porque seu diretor-geral naSuíça, Roland Decorvet, integra o conselho de uma fundação da IgrejaProtestante contrária à privatização da água. A empresa rebate asacusações e nega a existência de um conflito de interesses.

O assunto não é novo, mas voltou a ser destaque na semana passada nos jornais Tagesanzeiger e 20min.ch, ambos do grupo Tamedia, segundo maior grupo de mídia da Suíça, com manchetes como “A espionagem da Nestlé na luta pela água”.

Um dos personagens envolvidos é o ativista Franklin Frederick, que o Tagesanzeigercaracteriza como “uma espécie de James Bond brasileiro. Há anos ele seengaja contra a privatização da água, especialmente contra amultinacional suíça Nestlé, que explorou fontes minerais em SãoLourenço (MG) e vendeu a água sob o rótulo Pure Life“.

A comparação um tanto exagerada com James Bond se deve ao fato de que no novo filme de 007, Quantum of Solace, o superespião britânico luta contra um vilão que tenta controlar e privatizar importantes fontes de água na Bolívia.

Segundoo diário de Zurique, Frederick, um dos líderes do Movimento de Amigosdo Circuito das Águas Mineiro (Macam), foi “uma das vítimas maiseminentes do ataque de espionagem à organização antiglobalização Attac”.

Nosanos de 2003 e 2004, uma funcionária da Securitas (empresa responsávelpela segurança da Nestlé) com o codinome “Sarah Meylan” teria sidoinfiltrada na Attac do cantão de Vaud, estado em que fica a sede damultinacional. Na época, um grupo de autores da ONG escrevia o livro Attac contra o Império Nestlé, publicado em 2005.

Segundoa acusação da Attac, Sarah produziu dezenas de perfis de militantes,com nome, altura, cor de cabelo e pele, idéias, idade, perfil políticoe até mesmo hobbies. Ela também teria repassado informações sobrepessoas que atuavam contra a empresa em outros países. “Não sabemos oque foi feito com as informações quando elas chegaram à empresa”, disseo advogado dos ativistas, Rodolf Petit.

O nome de FranklinFrederick aparece várias vezes no protocolo de espionagem de 77 páginasentregue pela Nestlé à Justiça Civil de Vaud. O ativista brasileirohavia obtido apoio da Attac, do Greenpeace, da Declaração de Berna, daIgreja Reformada de Berna e de outras organizações suíças à suacampanha contra a Nestlé em São Lourenço e fornecera informações aosautores do livro.

O “império” contra Attac

Numaaudiência em 23 de julho passado perante o juiz Jean Luc Genillard, noPalácio da Justiça de Lausanne, os advogados da multinacional e daSecuritas disseram que os relatórios de Sarah eram “banais” e que asfotos que faziam parte das fichas sobre cada ativista foram “tiradas emlocais públicos”.

Em um comunicado, a Nestlé admitiu ter pedido aajuda à Securitas “para antecipar possíveis ataques” e lembrou ascircunstâncias daqueles anos, “quando havia uma atmosfera tensa emtorno da cúpula do G8 em Evian (na vizinha França, em 2003) e a Attacatacou a sede da Nestlé em Vevey, causando danos materiaissignificativos”.

Frederick, que atualmente se encontra na Suíça,lembra-se de Sarah Meylan. “Ela freqüentou o grupo Attac de setembro de2003 até junho de 2004. Este foi não só o período de elaboração dolivro, mas também o período em que o caso de São Lourenco teve a maiorrepercussão na Suíça.”

O ativista brasileiro teve contato pessoalcom a “espiã”. “Nós nos encontramos várias vezes e chegamos mesmo atrocar alguns e-mails.” Agora Frederick quer saber se seu correioeletrônico também foi espionado ou eventualmente ainda continua sobobservação.

Ele compara o caso de espionagem da Nestlé commétodos usados pelos governos ditatoriais da América Latina nos anos de1960 e 1970 e acredita que não só a Attac tenha sido infiltrada. “Claroque dentro de nosso movimento também havia infiltrados”, diz.

Questionadopela swissinfo, se a Nestlé realmente mandou espionar Frederick, odiretor de relações com a mídia da empresa, Robin Tickle, respondeu: “Opedido de infiltração de ONGs não faz parte da política da Nestlé. AAttac deu queixa contra a Nestlé, e assim atualmente estão em andamentovários processos judiciais. Não podemos falar sobre isso em detalhes.As sentenças são esperadas para um futuro próximo e as esperamos comtranqüilidade. O senhor Frederick nos é conhecido há muitos anos comocrítico da Nestlé. É evidente que ele se movimenta no ambiente daAttac.”

Para Frederick, no entanto, “não há dúvida de que essaoperação foi encomendada pela Nestlé, como mostra o protocolo que aempresa entregou à Justiça. O processo agora tenta esclarecer se houveviolação à privacidade das pessoas espionadas.”

“Conflito de interesses”

Emnome do Conselho das Igrejas Cristãs (Conic) e da Conferência dosBispos do Brasil (CNBB), Frederick atualmente coordena o projetoecumênico “Água como direito humano e bem público”. Ele tambémparticipou da elaboração de uma declaração assinada em 2005 pela CNBB,a Conferência dos Bispos da Suíça e a Federação das IgrejasProtestantes Suíças (SEK, na sigla em alemão) contra a privatização daágua.

Integrantes da Igreja e de ONGs suíças pediram à SEK que”proteste publicamente na Nestlé contra a espionagem”, que teveramificação no Brasil. Um pedido delicado, porque a SEK, na suaassembléia de junho passado, elegeu o diretor-geral da Nestlé suíça,Roland Decorvet, para o Conselho da Fundação da Obra Filantrópica dasIgrejas Protestantes da Suíça (Heks, na sigla em alemão).

A Heksapóia projetos de ajuda a países em desenvolvimento. Críticos daeleição de Decorvet dentro da própria Igreja temem que ela perca a suacredibilidade, uma vez que assinou a declaração pelo direito à águaenquanto a Nestlé estaria interessada na privatização. Neste ponto,haveria um conflito de interesses entre Decorvet e a Heks.

RobinTickle nega a existência desse conflito de interesses. “O senhorDecorvet se engaja como fiel protestante e foi eleito porrepresentantes da Igreja para o Conselho da Heks. Ele exerce essafunção como pessoa física e não como representante da Nestlé, embora aNestlé desempenhe um papel importante em países em desenvolvimento etenha acumulado experiências que se dispõe a partilhar com outrasorganizações”, disse à swissinfo.

Direito humano à água

Perguntadose o interesse da Nestlé em privatizar a água não colidiria com odireito humano à água, o porta-voz da multinacional disse é precisodiferenciar entre a água potável para o abastecimento básico e aquelaque é usada para a produção de outros produtos, por exemplo, naagricultura, responsável por 70% do consumo mundial de água.

“Existeum direito à água para satisfazer as necessidades básicas diárias doser humano. Isso, segundo a ONU, são 25 litros por pessoa por dia. Masnão existe um direito humano à água que é usada para regar um campo degolfe ou lavar o carro. Esta água precisa ter um preço de mercado paraque não seja desperdiçada”, disse Tickle.

Segundo ele, nosúltimos cinco anos, a Nestlé economizou mais água através da otimizaçãode sua produção do que vendeu em garrafas. “Não se trata de umaprivatização ou estatização geral da água – 97% do abastecimentomundial de água estão na mão do Estado, mas mesmo assim 1 bilhão depessoas não têm acesso seguro à água potável. Trata-se de realmenteimplementar o direito humano à água e que o restante da água tenha umpreço justo”, afirmou.

swissinfo, Geraldo Hoffmann

Fonte Original: http://www.swissinfo.ch/por/capa/A_Nestle_e_um_James_Bond_brasileiro.html?siteSect=106&sid=9995285&cKey=1227598557000&ty=st


Indisponibilidade do interesse público

Publicado por MACAM em 10 de novembro de 2008

Rui Nogueira

No surrealismo brasileiro, cada vez mais se evidencia o descaso de gestores públicos, dos administradores esquecidos de que “as pessoas administrativas não têm disponibilidade sobre os interesses públicos confiados à sua guarda e realização”.

Os exemplos são muitos e colocados nas raias do absurdo. Água é o bem essencial à vida, portanto, deve ser um direito fundamental com atendimento universal para toda a população. Atualmente, é um serviço público muito ambicionado pelas transnacionais que demonstram, em todo o mundo, atuações nefastas com corrupção, tarifas altas e exclusão dos carentes.

Não se pode aceitar que “administradores” públicos agridam o princípio da indisponibilidade do interesse público. Tem sido muito usada a artimanha de vender ações de estatais nas Bolsas estrangeiras, em geral com a justificativa da vinda de “investimentos” quando observamos que, até para adquirir as nossas estatais, o BNDES,nosso banco de investimentos, financia estrangeiros. É justo?

No Rio de Janeiro, os que deveriam zelar pelo bem público e cuidar da empresa constituída para prestar serviços no atendimento da necessidade básica e fundamental de água e que construiu a maior estação de tratamento de águas do mundo (GUANDU), capaz de atender nove milhões de pessoas, acenam com a intenção de venderem ações da empresa. Alegaram que o Estado continuaria com o controle e citaram, como exemplo, a COPASA – empresa de águas de Minas Gerais. Em realidade, a COPASA é o melhor exemplo de que não se deve aceitar a
venda de ações e a privatização dos serviços de água. O mineirobrasileiro está sofrendo. A COPASA não tem mais a finalidade de prestar serviços à população e isto está declarado nos seus relatórios de balanço, publicados nos jornais, quando afirma que empresa tem como objetivo obter resultados financeiros. Leia-se: dar lucros abusivos aos acionistas estrangeiros.

Lamentavelmente, a Prefeitura de Belo Horizonte, que na estruturação com domínio estatal tinha 30% das ações da COPASA deve tê-las negociado, pois, somente isto explica o atual percentual de ações nas mãos estrangeiras (74%). Para quê? Qual a vantagem para a população? Isto envolve até a perda do efetivo domínio das bacias hidrográficas da região.
Objetivo de resultados financeiros que dizer exclusão dos que não podem dar retorno (os pobres). Há bairros inteiros, em algumas cidades de Minas
Gerais, com os encanamentos instalados sem haver a ligação da água pela alegada falta de retorno e porque os moradores não têm dinheiro para o alto custo da ligação da água.

As contas da COPASA são até cinco vezes mais caras do que as taxas cobradas em moradias equivalentes e consumos semelhantes por municípios que, felizmente, têm a água com gestão municipal, sem privatização e com serviços de alto nível. Convenhamos que é uma burrice muito grande colocar um bem essencial como a água na mão de transnacionais para a sórdida exploração que é observada em todos os lugares do mundo quando a água é privatizada (Água a luta do século).

Por quê? Por que deixar um bem essencial, que ninguém pode prescindir e usar, ser transformado em “mercadoria“? No Rio já se observa o desdobramento de todas as estratégias para o caminho
da privatização. Bloqueiam recursos, não fazem investimentos, terceirizam os funcionários, hoje há vigilantes exercendo funções administrativas na CEDAE sem ser preparado para tal mister. Não disponibilizam recursos para os consertos, reposições e manutenção dos equipamentos porém, multiplicam-se os contratos milionários de terceirização e admitem a abertura dos dados privativos da empresa para estranhos, com liberdade para vasculhar tudo, numa nítidaimpressão de que avaliam e fazem levantamentos de bens para consultoriacom ligações estrangeiras, a que elabora planos e estratégias para a privatização. Os funcionários concursados que dedicaram a sua vida para prestar serviços á comunidade, que resistem e reclamam do desmantelamento da empresa são alijados das suas funções até com a colocação de terceirizados. È a busca de acabar com a identidade da empresa. Negociam os bens públicos em operações sem apoio legal como fazer “acordos”
para abater dívidas das contas de fornecimento de água com as empresas particulares em contra partida muito estranha como no caso dos camarotes do Maracanã, usados para mordomias e atividades estranhas á finalidade da empresa de água.

È difícil de entender. Os exemplos estão ai. Dirigentes negociam o bem público ao seu bel prazer. Prevalece uma tendência surrealista de lidar com o bem público sem reflexões, sem coerência e sem ouvir a comunidade.Muitas destas “negociações” têm sido questionadas pelo MinistérioPublico e pelos Tribunais de Conta. Algumas foram derrubadas pela Justiça como no caso da SANEPAR, Paraná,dominada por acionistas minoritários estrangeiros e que voltou ao domínio do Estado, no Governo Requião, para prestar serviços à população.

A melhor explicação para os disparates que os gestores públicos andam fazendo veio de grupo de estudos do Realengo, RJ, quando dizem: “Os políticos e gestores públicos aceitam e até facilitam as privatizações porque empresa estatal não pode financiar campanhas político-partidárias mas as empresas privadas, por lei, estão autorizadas a fazê-lo. Entregar um bem fundamental que não podemos dispensar e, portanto, temos que pagar, mesmo com sacrifício, as contas abusivas das concessionárias estrangeiras, com arrendamentos por trinta anos, isenção de impostos e fluxo
de caixa garantido, até por contratos, significa que, durante trinta anos a empresa beneficiada não vai se negar a financiar as campanhas dos “facilitadores”.

Observem. Trinta anos de concessão. Isto representa oito legislaturas com apoio financeiro. Negociar o bem público que está confiado à sua guarda, sem respeitar a sua indisponibilidade, em atenção aos interesses das transnacionais, poderá representar “financiamentos” pelo menos duranteo tempo da concessão, o que, permitirá, se quiser, eleger até o neto!

Resistir é preciso!


ONG ambiental teria sido espionada pela Nestlé

Publicado por MACAM em 24 de agosto de 2008

A Nestlé se envolveu em uma polêmica deespionagem com ramificação no Brasil. ONGs suíças estão acusando aempresa de ter infiltrado uma espiã entre seus militantes para obterinformações sobre movimentos que possam prejudicar a multinacional.

No Brasil, a suspeita de advogados das ONGs é deque informações sobre ativistas do Movimento de Amigos do Circuito dasÁguas Mineiro (Macam) – que apontam dano ambiental resultante deinvestimentos da Nestlé no Rio São Lourenço – teriam sido passados pelaespiã. Nos últimos meses, a Nestlé vem tentando negociar uma soluçãocom o governo mineiro e com ONGs para aumentar a capacidade de produçãode sua água São Lourenço, em Minas. Hoje, está limitada a 13 milhões delitros/ano. Para a Nestlé, poderia ser três vezes maior.

Um doslíderes do Macam é Franklin Frederick, que, segundo Rodolf Petit,advogado suíço que trabalha no caso, também teria tido suas informaçõesrepassadas à Nestlé por meio da espiã.

O Estado tentou contatoanteontem e ontem com representantes do Macam. Telefones de Frederickou em nome da ONG não foram encontrados na lista telefônica. Aprefeitura de São Lourenço informou por meio de sua assessoria decomunicação que desconhece a existência da organização. Em seu site nainternet, a entidade não divulga contatos telefônicos. A ONG se definecomo “um grupo de cidadãos que defende o uso livre da água semvinculação com valor econômico”. Afirma ainda que se opõe à atuação daNestlé no “secular Parque das Águas de São Lourenço”.

Defensiva

Ainiciativa da Nestlé teria ocorrido em 2003, quando o movimentoanti-globalização Attac decidiu preparar um livro sobre a empresa.Segundo o caso que foi apresentado à Justiça da Suíça, a estratégia foiinfiltrar alguém na ONG não apenas para saber de que se tratava olivro, mas também obter informações sobre quem eram as pessoas quetrabalhavam contra a empresa em vários países. Para isso, foi enviada àONG a “ativista” Sara Meylan, que na realidade era uma funcionária daempresa de segurança privada Securitas. Dentro da ONG, Sara produziudezenas de perfis de militantes, com nome, altura, cor de cabelo epele, idéias, idade, perfil político e até mesmo hobbies. O livro foipublicado em 2005 – Attac contra o Império Nestlé. Sara teria atuado naAttac entre setembro de 2003 e junho de 2004.

Admissão

ANestlé, em comunicado, reconheceu que pediu a ajuda da Securitas. Masalertou que a Justiça precisará entender as circunstâncias daquelesanos. A multinacional acredita que a ONG Attac estaria disposta a usarmétodos violentos. “Lembrem-se da atmosfera tensa em torno do G-8(reunião dos países mais industrializados) em Evian em 2003: já emmarço, José Bové, com membros da Confederação Camponesa e outraspessoas reunidas sob a bandeira da Attac, atacou a sede da Nestlé emVevey, causando danos materiais significativos (…) Tratava-se deviolência deliberada acompanhada de ameaças concretas”, diz a nota.”Nessas circunstâncias, nos pareceu natural pedir à Securitas,sociedade privada que garante a proteção de nossos escritórios há maisde 30 anos, que nos ajudasse a antecipar novos atos de violência.” ANestlé, porém, afirma que não estaria de acordo com a tática deinfliltrar uma espiã. “A infiltração deliberada de uma ONG não écoerente com os princípios de conduta do grupo Nestlé”, disse na notaHans Peter Frick, representante legal da empresa.

No dia de 23de julho, a empresa e a ONG foram chamadas à Justiça de Lausanne. Amultinacional alegou que as fotos que faziam parte das fichas sobrecada ativista foram “tiradas em locais públicos”. Os advogados dosativistas rebatem: “Não são apenas relatórios. São fichas de cada umadas pessoas”, afirmou Petit. “Não sabemos o que foi feito com asinformações quando elas chegaram à empresa.”

A Justiça suíça está investigando as acusações e, nas próximas semanas, promete anunciar seu parecer. As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Eduardo Kattah

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/08/06/ong_ambiental_teria_sido_espionada_pela_nestle_1499976.html