Nestlé e o Escândalo da Espionagem

Publicado por MACAM em 24 de agosto de 2008

A sede da Nestlé na Suíça contratou uma empresa de segurança particular – SECURITAS – para que esta infiltrasse uma pessoa –sob o nome de Sarah Meylan – no ATTAC Suiça. Os governos ditatoriais na América Latina nos anos 60 e 70 faziam exatamente isso, infiltravam agentes em movimentos estudantis, sindicatos, e outros grupos julgados „perigosos“, obtendo assim informações que levaram muita gente às celas de tortura e à morte . Que uma multinacional recorra a tais práticas – e dentro da democrática Suíça – é algo que exige uma rigorosa investigação e a condenação de toda a sociedade , pois a partir daí trilham-se caminhos que justamente nós, latino-americanos, conhecemos muito bem e sabemos aonde vai dar.

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Qual o interesse da Nestlé em espionar o ATTAC , qual o seu propósito? Para se obter estas respostas é preciso saber o que estava acontecendo na época em que a agente da SECURITAS ficou infiltrada no grupo ATTAC do cantão de VAUD.

Mas o que é o ATTAC? O ATTAC foi fundado na França em 1998 com o objetivo de promover a taxação da especulação financeira internacional conforme a proposta do economista norte-americano Tobin. Os recursos desta taxação – conhecida como taxa Tobin – seriam utilizados no pagamento das dívidas dos países do Terceiro Mundo e em sua recuperação econômica. Daí a sigla ATTAC – Associação pela Taxação das Transações financeiras e Ajuda aos Cidadãos. Mas logo o ATTAC cresceu sobretudo como um movimento de educação política. Ao ATTAC França seguiram-se os ATTACs da Alemanha, Suíça, Bélgica…Em várias cidades nesses e em outros países europeus grupos de cidadãos de todas as idades se organizaram para discutir , aprender e difundir informações sobre temas como a dívida externa dos países do Terceiro Mundo, os acordos comerciais na Organização Mundial do Comércio, etc., temas complexos porém fundamentais para se compreender a economia e a política atuais. Sem nenhuma dúvida o ATTAC – junto com o Forum Social Mundial – com o qual tem estreitas relações – são dos mais importantes movimentos políticos surgidos no mundo nos últimos anos.

Em 2001 a Nestlé tentou obter o controle da exploração da água da cidade de Bevaix, no cantão de Neuchatel na Suíça, fazendo uma oferta à Prefeitura local. Ao tomar conhecimento desta oferta o grupo ATTAC Neuchatel iniciou uma campanha de informação à população que levou à coleta de várias assinaturas contra a oferta da Nestlé. A água deveria permanecer como um bem público sob gestão da comunidade. No final de 2001 a Nestlé retirou a sua oferta apresentando a justificativa de que a „qualidade“ da água de Bevaix não correspondia ao padrão exigido pela empresa…Claro que é melhor isso do que admitir que foi a reação dos cidadãos em defesa do seu patrimônio que levou a empresa a se retirar. Esta primeira batalha do ATTAC X Nestlé na Suíça teve bastante repercussão na imprensa.

No início de 2002 eu cheguei à Suíça para tentar mobilizar a opinião pública aqui para o caso da Nestlé na cidade de São Lourenço , Minas Gerais. Desde o início, uma parte do movimento de cidadãos de São Lourenço e de pessoas de outras cidades preocupadas com a superexploração das fontes de água mineral do Parque das Águas, considerava que era fundamental levar a nossa luta ao país sede da Nestlé, justamente onde a sua imagem poderia ser mais prejudicada. A tradição democrática da Suíça, por outro lado, poderia nos garantir uma expressão mais livre da pressão econômica exercida pela maior multinacional do mundo no ramo alimentar. Amigos suíços que haviam acompanhado a luta em Neuchatel me colocaram em contato com o ATTAC Suíça que imediatamente organizou várias conferências públicas em diversas cidades onde pude expôr o problema de São Lourenço. Alguns jornais como o Le Courrier e Le Temps publicaram artigos e entrevistas sobre o caso. Muito mais rápido do que eu podia imaginar , tínhamos uma campanha na Suíça contra as atividades da Nestlé em São Lourenço com a participação do ATTAC, Greenpeace, Declaração de Berna e outros movimentos e organizações. A imprensa suíça em francês, alemão e italiano deu muita cobertura à nossa campanha e varios artigos e entrevistas foram publicados em jornais e revistas. Em 2003 a TSI –Rede de Televisão da Suíça Italiana – enviou uma equipe que realizou um documentário de 21 minutos sobre a situação em SL , entrevistando autoridades, cidadãos, o Ministério Público e o DNPM em Brasília. Este documentário foi exibido em toda a Suíça. No final de 2003 a Igreja Reformada de Berna manifestou o seu apoio ao nosso movimento. A Nestlé Suíça começou a sentir toda esta pressão e o porta-voz da empresa entrou em ação: começou a publicar cartas e artigos nos jornais atacando a minha credibilidade. O que teria sido o mais simples a fazer – discutir o caso – nunca aconteceu. A política da empresa é a de negar qualquer diálogo com a Nestlé Suíça em casos envolvendo outros países. A razão é muito simples : evitar a percepção pública de que existe uma POLÍTICA GLOBAL que é decidida na sede da empresa e que os diversos conflitos em outros países refletem um PADRÃO comum. Nosso movimento no Brasil continuava também e juntos procurávamos contatos com os movimentos de outros países que tivessem casos como o nosso, ampliando a rede internacional e mantendo a pressão na Suíça. O grupo ATTAC do cantão de VAUD era com o qual eu tinha – e ainda tenho – a relação mais próxima e juntos discutíamos a necessidade de mostrar os diversos casos de conflito com a Nestlé e o padrão subjacente que claramente indicava uma política global decidida na Suíça e não uma série de conflitos locais sem nenhuma conexão entre si. E o ATTAC VAUD decidiu criar um grupo de trabalho para escrever um livro sobre a Nestlé…

O ATTAC Suíça apoiava também uma outra campanha maior do que a nossa e com muito mais repercussão ainda – a campanha de apoio aos trabalhadores do Sindicato das Indústrias Alimentícias da Colômbia –SINALTRAINAL. A Colômbia é o lugar mais perigoso do mundo para sindicalistas. Assassinatos, intimidações e sequestros acontecem permanentemente. O SINALTRAINAL tinha um conflito bastante sério com a Nestlé e um grupo composto por várias organizações – dentre elas o ATTAC – defendia a causa colombiana na Suíça , com conferências, presença nos meios de comunicação e o apoio de muitas Igrejas.

Este era o contexto da pressão sobre a Nestlé em 2003, quando ATTAC VAUD decidiu colocar todas as informações então disponíveis num livro e criou um grupo de redação. Em setembro de 2003 uma moça jovem, discreta, passa a frequentar as reuniões do ATTAC VAUD e se aproxima do grupo de trabalho. Seu nome : Sarah Meylan.

Nós nos encontramos várias vezes e chegamos mesmo a trocar alguns e-mails. Através de Sarah Meylan – que, conforme soubemos depois, apresentava periodicamente relatórios à Nestlé – esta empresa teve acesso aos nomes de membros dos grupos da „resistência“ em vários países – Colômbia e Brasil entre eles – bem como acesso à diversas informações de conteúdo das investigações então feitas. Claro que a maior parte dessas informações seriam tornadas públicas – mas o momento e a forma como estas informações se tornam públicas são uma parte importante do processo. Além disso, no caso da Colômbia principalmente, o acesso a uma lista de nomes poderia significar um considerável perigo para os envolvidos.

Sarah Meylan frequentou o grupo ATTAC até junho de 2004. Este foi não só o período de elaboração do livro mas também o período onde o caso de São Lourenco teve a maior repercussão na Suíça. Em janeiro/fevereiro de 2004, a convite da ONG Suíça Declaração de Berna fui participar em Davos do „Public Eye on Davos“ , encontro das organizações civis críticas ao „Forum Econômico Mundial“ que acontece ao mesmo tempo na mesma cidade. Num outro evento – o „Open Forum“ em Davos – do qual Peter Brabeck, CEO da Nestlé, participava, tive a oportunidade de um debate público com ele. Ao perguntar sobre o caso de SL ,para a minha surpresa, Brabeck estava não só perfeitamente informado sobre o caso mas também deu a mais inesperada das respostas: publicamente – este debate foi filmado – o todo-poderoso CEO de uma das maiores multinacionais do mundo anunciou que a produção da água „Pure Life“ seria encerrada bem como a operação de bombeamento da água utilizada nesta produção! Vitória dos movimentos sociais? Conquista da ação solidária dos cidadãos do Brasil e Suíça? Pelo menos foi isso que os principais jornais suíços em língua alemã e francesa estamparam em suas primeiras páginas contando o que havia acontecido em Davos…

Mas no MESMO DIA em que os jornais suíços publicavam esta matéria, o site da FEAM –Fundação Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais – anunciava um „acordo de cavalheiros“ entre o muncipio de SL, o Estado de MG e a empresa Nestlé para que esta permanecesse em SL por mais tempo, até regularizar suas operações…Esta coordenação perfeita com tudo acontecendo no Brasil ao mesmo tempo em que eu estava na Suíça, o anúncio do site da FEAM no mesmo dia em que os jornais suíços publicavam a nossa vitória, isso não se faz sem considerável informação interna sobre o que se fazia na Suíça e no Brasil. Claro que dentro de nosso movimento também havia „infiltrados“.

Este „acordo de cavalheiros“ tinha como único objetivo esvaziar a nossa ação na Suíça, pois com este „acordo“ , como seria possível cobrar do Peter Brabeck que cumprisse a sua palavra? A resposta então seria: „ Mas a cidade de SL e o Estado de MG PEDIRAM que a Nestlé ficasse…“

Cabe informar que o „articulador“ do tal „acordo“ foi o Deputado Federal do PT de MG Odair Cunha.

Diante disso restavam duas opções: abandonar a luta ou aumentar a pressão sobre a Nestlé. A partir do „acordo“ espúrio o nosso movimento no Brasil se dividiu. Por ingenuidade, falta de visão política ou cooptação mesmo , uma parte passou a apoiar o „acordo“ – que o tempo provou ser uma farsa – e a outra parte fundou o MACAM – Movimento dos Amigos do Circuito da Águas Mineiro. Nossa preocupação se estendia a todo o Circuito , pois depois de SL certamente viriam Caxambu, Cambuquira, Lambari…Todas preciosas águas abandonadas por décadas de políticas públicas e ambientais ineficientes ou praticamente inexistentes…

Nossa opção foi aumentar a pressão. Em uma reunião „histórica“ na Suíça , o ATTAC, Greenpeace, Declaração de Berna e outros movimentos e organizações , junto comigo decidimos realizar em VEVEY – cidade onde fica a sede internacional da Nestlé na Suíça – o FORUM IMPÉRIO NESTLÉ . Este Forum reuniu pela primeira vez representantes de vários países – Suíça, França, Colômbia, Brasil, Reino Unido… – para falar sobre os conflitos com a Nestlé dentro de 4 eixos temáticos principais: conflitos trabalhistas, alimentação, organismos geneticamente modificados e ÁGUA. Pela primeira vez se mostrava publicamente os diversos tentáculos da empresa e como a política GLOBAL era orientada a partir da Suíça. A imprensa deu uma enorme cobertura ao evento.Jean Ziegler –Relator Especial da ONU para o Direito à Alimentação – menciona o Forum várias vezes em seu último livro – O império da Vergonha“ – que aliás contém um capítulo especial sobre o „polvo“ de Vevey e seus tentáculos…

Todas estas atividades foram acompanhadas de perto pela Sarah Meylan. Logo após o Forum, Sarah deixou de frequentar as reuniões do ATTAC. As informações mais importantes ela já havia obtido. Sua missão estava terminada. Até que…

Até que num dos primeiros meses de 2008 uma pessoa não identificada telefonou para a sede da Transparency International em Berna, capital da Suíça , denunciando as ações da Sarah Meylan. Transparency International iniciou uma investigação e a seguir procurou um jornalista da TV Suíça que comprovou o caso e no dia 12 de junho fez um longo programa na televisão sobre o caso. Este programa foi exibido em toda a Suíça e despertou a indignação de muita gente. O ATTAC – VAUD está processando a Nestlé e a SECURITAS. No último dia 23 de julho houve a primeira audiência do caso perante o Juiz Jean Luc Genillard no Palácio de Justiça de Lausanne no cantão de VAUD. Eu compareci como testemunha.

Em linhas gerais os advogados da Nestlé e da SECURITAS basearam a sua defesa em duas linhas principais:

1) Procuraram fazer uma ligação entre os acontecimentos em Genebra em 2003 – por ocasião das manifestações contra o encontro do G8 que aconteceu naquele ano na cidade vizinha de Evian, na França. Os advogados procuraram demonstrar que naquele período havia o risco de que as manifestações se transformassem em atos de vandalismo e que supostamente o ATTAC estaria por trás da organização dessas manifestações. Mas, mesmo em se aceitando a validade deste tipo de suposição, estes acontecimentos ocorreram ANTES da infiltração da agente Sarah Meylan…
2) Por outro lado , os advogados procuraram também minimizar a importância das informações trazidas por Sarah Meylan dizendo que os relatórios eram „banais“ .

É importante notar que nem a Nestlé nem a SECURITAS NEGARAM as acusações. Muito pelo contrário, o advogado da Nestlé ao final da audiência falou por quase uma hora – nós não podíamos interrompê-lo – DEFENDENDO O DIREITO DA NESTLÉ de buscar informações utilizando quaisquer meios quando se trata de defender seus interesses ou a „integridade“ de seus funcionários ou propriedades. Isso equivale a uma defesa pública das ações de espionagem e infiltração. Pior ainda, este advogado se referiu ao ATTAC, Greenpeace e a mim mesmo como indivíduos „perigosos“ para a sociedade…Mas ao mesmo tempo referia-se com desprezo a este „pequeno grupo de VAUD“ que escrevia livros e organizava eventos sem nenhuma importância ou impacto, reproduzindo informações „falsas“. Seria o caso de perguntar porque contratar então uma empresa de segurança para espionar este mesmo grupo sem importância ou credibilidade…

Esta foi apenas a primeira audiência sobre o caso. Outras se seguirão e o resultado do processo é incerto. Temos que esperar. Mas ja temos lições importantes a tirar deste caso, especialmente em sua ligação com o Brasil.

Em agosto de 2005, quando a Nestlé ainda enfrentava a ação civil pública movida pelo Ministério Público em São Lourenço, o Sr. Prefeito Tenório Cavancante enviou para a Suíça uma carta em inglês atacando a minha credibilidade e defendendo as atividades da empresa em SL. Eu só soube desta carta em um outro evento na Inglaterra no início de 2006 quando a Nestlé do Reino Unido reclamou da minha presença num evento sobre „ Direito à Água“ junto à algumas ONGs do Reino Unido que apoiavam o evento. A sede da Nestlé no Reino Unido enviou então a carta do Prefeito a todas as ONGs envolvidas na organização do evento. O que me pareceu mais estranho então é que o Sr. Prefeito de SL enviou esta carta – um documento oficial – sem informar ninguém em SL. O que eu fiz foi traduzir a carta para o português e difundi-la através de nosso site, junto com uma resposta. O Sr. Prefeito de SL parece não gostar muito de vozes discordantes dele e da Nestlé e , novamente, ao invés de abertamente discutir o caso com os cidadãos , Ministério Público, etc. procura o caminho do ataque pessoal e do descrédito. Tanto a Nestlé quanto o Sr.Prefeito de SL parecem desconhecer o fato de que a época das ditaduras militares que se utilizavam destes procedimentos já acabou. Acho que o Peter Brabeck – até recentemente o CEO da Nestlé – deve ter muitas saudades do tempo em que trabalhou e prosperou dirigindo a Nestlé no Chile sob o governo de Pinochet , onde aliás parece ter aprendido algumas coisas. Já o Prefeito de SL procura consolidar as suas relações com a poderosa empresa multinacional mesmo em detrimento da cidade de SL.

Em março de 2006 , graças à continuação da campanha na Suíça e ao grupo de cidadãos de SL, os advogados da Nestlé procuraram o Ministério Público e assinaram um acordo para acabar com a ação civil. Pelo acordo a Nestlé encerrou definitivamente a produção da água engarrafada „Pure Life“ e o bombeamento do poço primavera. Em abril de 2006, na Suíça, os jornais Le Courrier e Le Temps publicaram uma entrevista comigo sobre isso. O incansável e sempre atento porta-voz da Nestlé , Xavier Perroud , mandou aos jornais uma carta que, novamente, começa por „lamentar“ que este jornal tenha dado atenção a uma pessoa „sem credibilidade“ como eu. Afirmou também que a assinatura do acordo se deu por „mudanças na legislação brasileira“ (?!) e também porque a produção da „Pure Life“ não interessava mais à multinacional…Porém o Sr. Xavier Perroud não sabia que em fevereiro de 2006 eu havia trazido para visitar o Parque de Águas de SL um grupo de 12 Pastores da Igreja Reformada de Berna. Este grupo visitou o Parque, viu as diversas rachaduras que ainda estão lá e conversou com o Procurador responsável pela ação civil pública em SL, Dr. Pedro Paulo Aina. Diante da carta do Sr. Xavier Perroud, este grupo da Igreja de Berna enviou uma outra carta contestando as informações do Sr. Perroud. Deve ter sido uma surpresa desagradável para ele. A partir daí a Nestlé não mais me atacou nos jornais suíços.

Mas a situação em Minas Gerais ainda não está solucionada. Uma avaliação em profundidade dos danos causados pela exploração da Nestlé no Parque das Águas de SL nunca foi feita – e duvido que venha a ser. Não seria conveniente nem para a Nestlé nem para os diversos órgãos públicos que se omitiram durante tantos anos. Em 2005 o Deputado Federal do PT do Paraná Dr. Rosinha solicitou uma audiência pública sobre o caso no Congresso Federal. TODOS os órgãos federais presentes foram unânimes ao afirmar que a produção da água de mesa „Pure Life“ era ilegal. Porém estes mesmos órgãos – especialmente o DNPM – nunca tomaram a atitude correspondente de ir a SL e FECHAR o Poço Primavera e acabar com a produção da „Pure Life“. Preferiram esperar que a Nestlé tomasse esta atitude por si mesma. Os documentos desta audiência pública estão disponíveis.

Sobre esta mesmo audiência é interessante notar duas coisas. Primeiro a AUSÊNCIA dos Deputados Federais de MG, especialmente do Deputado Federal Odair Cunha. Quando se trata de „arranjar“ as coisas para a Nestlé, o excelentíssimo Sr. Deputado encontra tempo para se deslocar de Brasília a SL. Para uma audiência pública acontecendo a algumas dezenas de metros de seu próprio Gabinete em Brasília o Sr. Deputado Federal Odair Cunha não tem disponibilidade. Mas NENHUM Deputado de MG esteve presente a esta audiência. Bem, talvez o caso não tivesse mesmo nenhuma importância…

O segundo fato interessante é que para a opinião pública na Suíça a Nestlé afirma que nunca houve nenhuma ilegalidade em suas ações no Brasil. Para comprovar isso a Nestlé contratou uma firma de auditoria „independente“ – o Bureau VERITAS – que aparentemente realizou uma auditoria no Brasil que comprova a legalidade das ações da Nestlé em SL. A auditoria foi tão bem conduzida que o Bureau VERITAS sequer menciona a audiência pública realizada no congresso federal em 2005. Certamente para a Nestlé o Bureau VERITAS – pago pela empresa – expressa a verdade. As autoridades federais que se expressaram publicamente no Congresso Nacional estavam consequentemente mentindo, ja que o Bureau VERITAS é quem diz a verdade. Pelo menos é isso que esta escrito no Relatório de Responsabilidade Social da Nestlé para a América Latina publicado em 2006.

Ao que tudo indica os procedimentos obscuros da Nestlé não se limitam à espionagem, infiltração e espionagem.

Mas a empresa continua a afirmar que está sempre aberta ao diálogo com a comunidade. Como prova disso neste ano – 2008 – a Direção da Nestlé Waters Internacional junto com os diretores brasileiros visitou SL , conforme divulgado pela imprensa. Estiveram inclusive no Parque das Águas que sofreu uma ampla faxina e uma considerável melhoria em seus equipamentos. Infelizmente não foi possível consertar ou esconder as inúmeras rachaduras espalhadas pelo Parque , sinal claro da superexploração que levou ao afundamento do lençol freático e consequentemente do solo. Infelizmente também os srs. Diretores só tiveram tempo de conversar com o Sr.Prefeito Tenório Cavalcante. Esta visita teria sido uma excelente oportunidade de um amplo diálogo com a sociedade civil de SL. Novamente isso não aconteceu. Porém num ano de eleições municipais acho preocupante a possível interferência da multinacional na política local, pois porque afinal de contas, diante de tudo que já se passou, a direção internacional da Nestlé Waters vem a SL falar SÓ com o Prefeito? Mas estas minha suspeitas podem ser apenas prova da minha indelicadeza em relação ao Prefeito e à Nestlé. Afinal de contas, o que pode impedir velhos amigos de se visitarem de vez em quando?

Para terminar, gostaria de chamar a atenção para a situação no Circuito das Águas. O Governo de MG vem divulgando seus projetos de EXPORTAR água da região, tendo inclusive criado uma empresa vinculada à COPASA para cuidar disso. Eu acho difícil qualquer operação deste tipo que não envolva a benção – e a obrigatória parceria – das quatro irmãs que dominam o mercado internacional de água – Nestlé, Danone, Pepsi e Coca Cola. QUEM, de fato, está por trás das operações de exportação de água do Circuito? Claro que eu posso estar completamente enganado, porém um pouco de cautela e cuidado nesses casos é fundamental. A água tornou-se o recurso mais precioso do século XXI, muito mais que o petróleo. O Brasil, que detém 13% das reservas de água doce do mundo, não pode descuidar de desenvolver políticas que garantam que a água permaneça um bem público. Água como direito humano e bem público, como defendem a CNBB e o CONIC, é o caminho. A privatização da água para gerar lucros para um pequeno e ganacioso grupo de empresas só vai gerar mais pobreza e desigualdade. No entanto, o Governo de MG e o DNPM parece que só conseguem ver água dentro de uma garrafa rotulada e não conseguem propôr um modelo público de gestão e exploração das águas minerais que beneficie de fato a região do Circuito das Águas. Se vender água de fato beneficiasse a população do Circuito, a região hoje seria das mais ricas do Brasil, pois vem vendendo água há décadas.

Recuperar a Medicina das Águas como já foi praticada ^neste país, desenvolver políticas públicas de saúde utilizando as águas minerais, permitir o acesso e o debate de todos os cidadãos sobre a melhor forma de explorar e proteger um recurso que lhes pertence, estas são apenas algumas coisas que podem ser feitas. Parcerias com empresas privadas que, visando o lucro a qualquer preço, recorrem à espionagem, infiltração e práticas semelhantes certamente NÃO é o caminho.

Franklin Frederick
Fonte: http://www.acquasul.com


Entrevista – Gabriel Junqueira e Luciana Lee / Circuito da Águas

Publicado por MACAM em 2 de maio de 2008

Tema:
Denúncia em defesa da boa utilização da água no
circuito das Águas de Minas Gerais
.

ENTREVISTAS – MARIA LÚCIA VIEIRA E CONVIDADOS

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http://www.eusouluz.com.br/entrevistas/entrevista_agua.mp3 – 38 min


Quando a água é conflito

Publicado por MACAM em 17 de abril de 2008

- Caderno de Conflitos / CPT / 2007 -

Roberto Malvezzi (Gogó)

Os conflitos pela água praticamente duplicaram no Brasil de 2006 (45)para 2007 (86). O número de famílias envolvidas saltou de 13.072 para32.746. Poderíamos até dizer que a CPT antes não estava conseguindointerpretar corretamente os fatos e não prestava atenção nos conflitospela água, que agora está mais preparada, portanto, os conflitos estãosendo registrados com mais precisão. Pode ser, mas sem dúvida o aumentodos conflitos pela água, fato mundial, também vai se ampliando noterritório brasileiro, em função da política que vai sendo implantada.Dezenove estados registram conflitos pela água. Minas Gerais com 20ocorrências é, de longe, o estado mais conflitivo.

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No geral, 47 conflitos se deram por questões de "uso e preservação", 33pela implantação de barragens e açudes e seis por apropriaçãoparticular de água. Portanto, os conflitos derivam do mau uso da águaque prejudica comunidades e populações inteiras, ocupação dos espaçosdas comunidades para construção de barragens e açudes, além da simplese pura apropriação privada de um bem que é constitucionalmente daUnião, embora para a Lei Brasileira de Recursos Hídricos seja público.

Mas é preciso ir mais a fundo nessas águas para percebermos exatamenteo que move esses moinhos dos conflitos. É sintomático que o maiornúmero de conflitos aconteçam em Minas. O São Francisco simboliza ojeito predatório de manejar nossas águas, mas também a luta pelaapropriação privada dessas águas, em função de seu intenso uso comfinalidade econômica, particularmente a geração de energia, usoindustrial e grandes projetos de irrigação. A transposição do Rio SãoFrancisco é a obra que leva ao extremo essa visão economicista da água.Entretanto, o olhar holístico sobre a água, exige que ela sejaconsiderada nas suas interfaces com a sua dimensão vital (biológica),ambiental, dos direitos humanos, estético, religioso, cultural,paisagístico, social, além da econômica e técnica. Aqui temosencontrado imensas dificuldades em dialogar com as corporaçõestécnicas, mas particularmente com a visão economicista que alimenta oscapitalistas da água. Com esses, o diálogo é praticamente impossível.Então, surgem os conflitos. Aliás, os eco-nomistas, que tem sua matrizlingüística na mesma etimologia dos eco-logistas, foram educados a teruma visão restritiva da realidade. Daí, por conseqüência, a imensadificuldade de considerar em seus raciocínios e práticas outrasinterfaces da água, tantas vezes essenciais para as populações quenascem e vivem vinculadas a determinados rios, lagos, ou como gostam ostécnicos, determinados corpos d’água.

Quando o Brasil criou sua lei de Recursos Hídricos em 1997, sob ogoverno de Fernando Henrique, conseguiu pôr na filosofia da lei que aprioridade no uso da água "é a pessoa humana e a dessedentação dosanimais". Porém, como diziam os antigos, "é nos detalhes que o diabomora". Ao aceitar o valor econômico da água, acaba por incorporar alógica mercantilista que hoje tende a reger esse bem natural, "direitohumano e patrimônio de todos os seres vivos", como já contrapunha aCampanha da Fraternidade de 2004. Através do mecanismo da outorga –espécie de contrato pelo qual o Estado cede o uso de um bem natural aparticulares – está havendo maciçamente apropriação do uso da água porempresas privadas para fins econômicos. Quando essas águas sãofederais, a outorga é concedida pela Agência Nacional de Águas. Quandoela é estadual, é feita pelo organismo responsável daquele determinadoestado federado.

Some-se à lógica contemporânea da mercantilizaçào da água, a tradiçãobrasileira de depredação dos bens naturais. Nossa relação pirata comnossos bens naturais criou uma cultura do desperdício, da depredação,da migração atrás de novas áreas, novos rios, novas florestas, massempre movidas pelo parasitário. O mundo de hoje exige uma nova culturada água, do respeito, do zelo, do cuidado, da responsabilidade no uso.Quem está determinado pela lógica econômica, viu nessa nova cultura, omomento de introduzir a cobrança pela água. O que para muitos é apenasuma medida educativa, para outros é simplesmente uma forma de ganhardinheiro com um bem imprescindível a todas as formas de vida.

Portanto, os conflitos pela água registrados pela Comissão Pastoral daTerra, embora já alcancem o significativo número de 86, envolvendoaproximadamente 33 mil famílias, portanto, perto de 160 mil pessoas, éapenas a ponta de uma nascente muito mais profunda. Os dados nos ajudamentender melhor o onde e o porquê desses conflitos, mas, sobretudo,para onde esses conflitos apontam.

A malha brasileira de rios é maior do mundo, temos água em abundância eos olhos do capital nacional e internacional ambicionam controlar eganhar fortunas com essa água. Como um rio que tem um longo percursoaté o mar, muita água vai mover os moinhos dos conflitos. Infelizmente.


Nestlé é uma das empresas mais processadas no Brasil

Publicado por MACAM em 8 de março de 2008

A Nestlé, maior indústria alimentícia do mundo, também
é uma das empresas mais processadas no Brasil, por enganar os
consumidores. Veja a reportagem de Sandro Barbosa.

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MP vai à Justiça contra monopólio de chocolates da Nestlé

Publicado por MACAM em 8 de março de 2008

Entidades de defesa do consumidor e o Ministério
Público vão à Justiça contra o monopólio da Nestlé no mercado de
chocolates. A Nestlé divulgou nota afirmando que não se manifesta sobre
assuntos em andamento na Justiça. Veja a reportagem de Sandro Barbosa.

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Justiça Concede Liminar Contra Copasa

Publicado por MACAM em 23 de janeiro de 2008

AJuíza de Direito Maria Aparecida Consentino, concedeu na tarde do dia 10 dejaneiro, uma liminar suspendendo todos os efeitos do projeto 048/07, incluindoo já assinado convênio com a COPASA.A ação civil pública proposta peloMinistério Público solicita a condenação dos réus Martim Francisco Borges deAndrada (Prefeito Municipal), José Higino Ferreira (Presidente da Câmara deVereadores), Amarílio Augusto de Andrade, Flávio Barbosa da Silva, Flávio MalufCaldas, Jair da Fonseca Pinto e João Bosco de Abreu (Vereadores) – nas sançõesprevistas no art. 12 incisos II e III da Lei 8.429/92.

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II – na hipótese do art. 10, ressarcimentointegral do dano, perda

dos bens ou valores

acrescidos ilicitamente ao patrimônio, seconcorrer esta

circunstância, perda da função pública,

suspensão dos direitos políticos de cinco aoito anos, pagamento de

multa civil de até duas vezes o valor

do dano e proibição de contratar com oPoder Público ou receber

benefícios ou incentivos fiscais ou

creditícios, direta ou indiretamente, aindaque por intermédio de

pessoa jurídica da qual seja sócio

majoritário, pelo prazo de cinco anos;

III – na hipótese do art. 11, ressarcimentointegral do dano, se

houver, perda da

função pública, suspensão dos direitospolíticos de três a cinco

anos, pagamento de multa civil de até

cem vezes o valor da remuneração percebidapelo agente e proibição

de contratar com o Poder Público

ou receber benefícios ou incentivos fiscaisou creditícios, direta

ou indiretamente, ainda que por

intermédio de pessoa jurídica da qual sejasócio majoritário, pelo

prazo de três anos.

Apena, se condenados, pode ser a perda do mandato e suspensão de direitospolíticos além de ressarcimento dos danos causados.

Opovo de Barbacena não é bobo. Se o Prefeito e os vereadores acham que podemfazer o que quiser sem prestar contas ao povo que os elegeu, estão muitoenganados.

Achoque a Justiça em Barbacena não está se mostrando tão superável como achava oPrefeito.

Eo vereador José Higino que achava que a opinião de "meia dúzia" de funcionários"desocupados" do DEMASA não merecia consideração, talvez mude deopinião agora.

Oato de conceder essa liminar mostra que a justiça está zelando pelo nossopatrimônio impedindo a aplicação de uma lei aprovada através de medidas ilegaise imorais.

Aeleição é este ano – 05 de outubro de 2008 – vamos querer manter políticos queusam da ilegalidade para aprovar leis em benefício próprio? Este processo deaprovação do projeto de lei 048/07 serviu para Barbacena conhecer realmenteseus políticos e ver que quando se trata de conseguir benefícios a ética, amoral, A LEI, tudo isso fica pra trás.

Nãoesqueçam esses sete nomes:

MartimFrancisco Borges de Andrada (Prefeito Municipal), José Higino Ferreira(Presidente da Câmara de Vereadores), Amarílio Augusto de Andrade, FlávioBarbosa da Silva, Flávio Maluf Caldas, Jair da Fonseca Pinto e João Bosco deAbreu (Vereadores)

Elesnão merecem seu voto.

http://www.demaexcopasa.blogspot.com/


Nestlé quer elevar produção da água São Lourenço – 19/10/2007

Publicado por MACAM em 23 de janeiro de 2008

A Nestlé, líder mundial do setor agroalimentar, planejanovos investimentos de dezenas de milhões de dólares no Brasil, começando pela expansãoda fábrica de produtos populares em Feira de Santana (BA), apenas sete mesesdepois de inaugurada, apostando na expansão econômica no país.

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Paul Polman, atual diretor-financeiro do grupo, foi nomeadoontem o diretor-geral para as Américas e vê "potencial" para dobraros investimentos de R$ 100 milhões recentemente feitos no Brasil. Estima queuma das áreas de crescimento dos negócios é o ‘food service’ (tudo que seconsome fora de casa, em restaurantes, bares, escolas etc).

Segundo a Nestlé, nos países desenvolvidos os gastos hojecom bebida e bebida fora de casa variam de 30% a 50% do total consumido. NoBrasil, cobrir 5% dos estabelecimentos já é quase 50 mil. Um dos objetivos no paísserá equipar milhares de bares e lanchonetes com máquinas de café do grupohelvético para fazer expresso e café com leite a preço popular, já a partir doano que vem.

"Existem novas oportunidades no Brasil e nosso maiordesafio é aproveitar esse potencial", disse Paul Bulcke, o futuropresidente mundial da multinacional suíça, que obteve a promoção ao tornar aregião das Américas, que ainda dirige, a mais lucrativa do grupo.

Globalmente, um dos alvos de Bulcke será tentar abocanhar amaior parte das ‘oportunidades’ adicionais de US$ 240 bilhões em nutrição e’food service’, dos quais US$ 70 bilhões nos países em desenvolvimento até 2015.

A Nestlé procura também negociar no Brasil uma solução comgoverno e organizações não governamentais (ONGs) para aumentar a capacidade de produçãode sua água São Lourenço, em Minas Gerais, que está limitada a 30% (13 milhões de litrospor ano) por causa de acusações de que a empresa explora de maneira excessiva afonte local e prejudica o meio ambiente.

"São Lourenço é uma grande marca, mas não um grandenegócio, porque não nos deixam explorá-lo", lamentou o presidente daNestlé Waters, Carlo Donati. Segundo ele, o grupo continua em busca deaquisição no setor de água mineral, podendo ocorrer "a qualquermomento".

"Há muita coisa para fazer, inclusive no Brasil, ondeos resultados são bons, mas sempre estamos querendo mais’, disse Paul Bulcke.No país , os negócios do grupo suíço tiveram crescimento orgânico (medida do desempenhodos negócios que exclui investimentos financeiros ou aquisições) superior aos7,2% globais.

Bulcke assumirá a presidência da Nestlé em abril do ano quevem. Polman, que perdeu a disputa para Bulcke pelo maior cargo da Nestlé, sedeclarou entusiasmado em dirigir as operações nas Américas.

Polman praticamente confirmou a permanência de Ivan Zuritacomo presidente da Nestlé Brasil. "Vi a organização sob responsabilidadede Ivan e não podemos chegar ao resultado que temos no Brasil sem boa gestão.Os resultados são muito bons e se podemos continuar com esse crescimento não hárazão para mudar", afirmou.

Enquanto Brabeck destacou a estabilidade política no governoLula, Polman estimou que o país podia crescer mais se não fosse problemas de infra-estruturae um "sistema tributário complicado".

A Nestlé anunciou ontem vendas globais de US$ 67 bilhõesentre janeiro e setembro. Foram US$ 5 bilhões a mais do que no mesmo período doano passado. A alta do custo de matérias-primas teve impacto no crescimento, quefoi de 9%, incluindo alta de preços dos produtos em 2,7%.

Bulcke deixou claro os eixos estratégicos para os próximosanos. Primeiro, consolidar a companhia como líder nas áreas de nutrição, da saúdee do bem-estar. E segundo, expandir os negócios nas economias emergentes, comfoco importante na China, Índia e Brasil

A multinacional também dará mais peso a novas tecnologias,convencido de que o futuro da companhia estará mais na pesquisa edesenvolvimento do que na simples transformação de produtos agrícolas.

A divisão "nutrição" está próxima do faturamentode US$ 10 bilhões, o dobro do concorrente mais próximo. Só as principais marcasde produtos "nutrição de saúde" faturam US$ 1 bilhão. A Nestlé querdesenvolver mais alimentos nutritivos ditos probióticos, compostos demicroorganismos em iogurtes, por exemplo, que podem servir para diminuir osriscos de inflamação ou prevenir doenças como Alzheimer.

A pesquisa na alimentação animal também dá vantagem competitivaao grupo. A marca Purina, para animais de companhia, em breve venderá um alimentocontendo uma molécula para prevenir "Alzheimer" de cachorros para"os animais viverem melhor e mais tempo".

A entrada no "food service" virá com força. Acompanhia também expande seu projeto-piloto do Brasil, de produtos populares,para outros mercados, utilizando outra distribuição, com vendas em carrinhosnas ruas da Tailândia ou África do Sul.

Fonte: JORNAL VALOR

Global Research* *®


O Gás nas Águas Minerais

Publicado por MACAM em 20 de janeiro de 2008

Do ponto devista químico, as águas naturais não são simplesmente moléculas de água (H2O),mas sim constituídas de diversas substâncias nela dissolvidas que a tornam comparticularidades e propriedades especiais. A água é o solvente mais abundantena natureza, sendo capaz de incorporar grandes quantidades de constituintes aoentrar em contato com os minerais dos solos e rochas por onde ela circula.

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SegundoBarison (2003), a composição química das águas subterrâneas via de regra, é reflexoda rocha por onde ela percola. Um sistema aqüífero contém, além da água, fasesminerais, gasosas, microrganismos, cuja interação depende de inúmerasvariáveis, como seu ambiente geográfico, composição mineralógica e tipo decimento, tempo de residência, entre outras.

A química daágua subterrânea, inicialmente depende do fator atmosférico, que tem ainterferência na infiltração da água no solo e das reações biogeoquímicas,entre as fases sólida e gasosa na zona não saturada e após as interações água-rochae as características existentes na zona saturada. Um ponto fundamental para oconhecimento da qualidade das águas subterrâneas passa pelo entendimento detodos os processos, considerando a geoquímica das águas naturais, bem como osproblemas de contaminação que podem existir.

Sabe-se que aágua no seu percurso está em contato não somente com as rochas, mas também comgases. Na zona de infiltração (com P= 1 atm), o equilíbrio entre o gásdissolvido e o gás da atmosfera imediatamente se realiza. Os gases queprimeiramente entram em contato com a água são: N2, Ar, O2.,H2, H2, CO2, H2S, NH3 eCH4. A dissolução do oxigênio e do gáscarbônico é de particular importância, pois a transferência de gases dos solosna água subterrânea influi na qualidade da água.

O CO2 tem diversas origens, como a partir do aratmosférico, do solo, proveniente dos ataques de calcários, de origemmetamórfica ou magmática. Sua quantidade pode variar desde a superfície até aszonas mais profundas, modificando a alcalinidade e agressividade da água. Asfontes mais expressivas de CO2 nas águas estão relacionadas àsreações químicas e biológicas no solo, à dissolução dos carbonatos e aosfenômenos de origem magmática e metamórfica das águas juvenis. No solo aprodução é máxima na parte superior, uma vez que é onde se encontram a maiorquantidade de matéria orgânica e microrganismos. O CO2 predomina emáguas mais ácidas, pois na sua dissolução produz H+, diminuindo opH, assim como está presente também em algumas águas termais, vulcânicas oucontaminadas.

O gáscarbônico na água proveniente do solo, tem origem quase totalmente darespiração dos organismos e da decomposição da matéria orgânica, que em contatocom a água forma o ácido carbônico.

A velocidadedas reações de dissolução e precipitação de minerais pode ocorrer em dias oumilhares de anos. As reações que ocorrementre os gases dissolvidos e a água são tão rápidas que podem ser consideradasem equilíbrio com o sistema de fluxo subterrâneo. A cinética destas reações émuitas vezes de difícil previsão devido aos vários fatores envolvidos. Emgeral, a velocidade das reações na água varia com as características ambientaishidrogeoquímicas e muitas vezes com a introdução de poluentes. As propriedadeshidrogeológicas como textura, porosidade, permeabilidade da rocha influenciamno tempo de residência da água, interferindo nos processos cinéticos.

Como jámencionado, a composição da água é reflexo da rocha por onde circula. Como ossilicatos, carbonatos, sulfatos e cloretos são os principais mineraisformadores das rochas, os íons mais abundantes nas águas são: Ca+2,Mg+2, Na+1, K+, SO4 -2,Cl- e HCO3 . Estes podem ter diferentes destinos duranteos processos de infiltração, como cálcio e magnésio, que podem precipitar ouserem absorvidos, o sódio deslocar o cálcio, o carbonato e bicarbonatoprecipitarem como carbonato de cálcio e carbonato de magnésio, mas os processosque acontecem determinam a composição da água que se formará constituída dedeterminados íons maiores e menores.

No caso dapresença de cálcio, elemento maisabundante existente na maioria das rochas e águas do planeta, apresenta-se emgeral sob a forma de carbonatos e bicarbonatos, e a sua solubilidade está emfunção da quantidade de gás carbônico dissolvido. A quantidade de CO2dissolvida depende da temperatura e da pressão que são, portanto fatores quevão determinar a solubilidade do bicarbonato de cálcio.

Além docálcio, há também os carbonatos e bicarbonatos, ânions também muito presentesnas águas subterrâneas e águas minerais, que são determinados pela presença deCO2. A quantidade relativa de íons carbonatos é função do pH e doconteúdo de gás carbônico.

O gás tambémtem forte influência no mecanismo de surgência das águas minerais, e conformeSikszay (1993), a ação do gás dissolvido acontece através de ações físicas edinâmicas. De um lado, baixa o peso específico da água e de outro lado, apressão do gás emulsiona a água e provoca sua ascensão. O gás dissolvido queage sobre a densidade da água é então função da velocidade de escoamento. Opapel principal é do gás e do vapor de água. A ação de gases provocairregularidade de vazão e diminuição de vazão pela difusão.

As águas minerais do Circuito das Águas, apresentam comoprincipal característica e importante critério de diferenciação de outrasregiões do Brasil, o fato de possuir abundância de CO2 ,caracterizando a região de águas minerais carbogasosas, podendo atingir 3000mg/L nas águas muito mineralizadas. Fora o seu papel terapêutico, o gás temgrande importância na dinâmica das águas. Variações de pressão atmosféricapodem influenciar o aumento ou a diminuição dos gases, que por sua vez podeprovocar um aumento do teor de CO2 desprendido, conseqüentemente namineralização das águas.

Na regiãomencionada, a mineralização resulta da dissolução dos minerais presentes naszonas milonitizadas e nos veios das brechas alcalinas pelas águas pluviaisinfiltrantes. Os sedimentos ricos em argila seriam responsáveis pelasolubilidade do ferro e do manganês e pelas condições físico-químicas para ageração do anidrido carbônico, conforme CPRM (1999). E a peculiar existência degrandes quantidades de anidrido carbônico (CO2) dissolvido nas águasestá relacionada à presença na bacia de recarga do aqüífero fraturado, de níveisargilosos, confinantes, ricos em matéria orgânica vegetal, que criam umambiente redutor para a liberação do gás.

As águas dasfontes hidrominerais, além da particularidade de possuírem anidrido carbônicodissolvido em grandes quantidades, apresentam níveis de mineralização variados.Há uma predominância de bicarbonato sobre outros íons indicando dissolução decarbonatos existentes nas rochas aqüíferas pelas águas infiltrantesenriquecidas de ácido carbônico e ácidos húmicos e fúlvicos presentes no solo.

O gáscarbônico é possível que seja resultante da solução bicarbonatada, concentradadurante o processo de dissolução dos carbonatos existentes nas rochas. Estasolução, quando em contato com um ambiente ácido e quimicamente redutor,resultante da matéria orgânica em decomposição, favorece predomínio do CO2,segundo as seguintes equações:

CO3-2 + H+⇄ HCO3-

HCO3- + H+ ⇄ H2CO3

H2CO3 ⇄ H2O + CO2dissolvido

CO2 dissolvido ⇄CO2 gás

O equilíbriode gás carbônico dissolvido é mantido pelo meio quimicamente ácido (pH< 7),onde ocorrem as fontes. Qualquer desequilíbrio deste gás pode alterarquimicamente a mineralização das águas, pois altera a hidrodinâmica existenteno meio. A respiração dos microrganismos existentes nos sedimentos tambémpoderá contribuir com algum CO2 para o meio.

De acordo comos itens ressaltados acima sobre a importância do gás na hidrodinâmica daságuas minerais, e uma vez que os estudos relacionados ao tema apresentam-se complexospois envolvem um sistema dinâmico e com muitos fatores físicos efísico-químicos envolvidos, recomenda-se que para sustentar ações de exploraçãodas águas minerais, haja sempre desenvolvimentos técnico-científicos eaprimoramento dos estudos hidrodinâmicos, hidrogeológicos e hidroquímicos quegarantam a mineralização e o volume explotável dos mananciais, para uma gestãoeficiente deste recurso natural tão importante para a região.

Escrito por:

MSc GilzeBelém Chaves Borges. 02/07/2007


Resistir é preciso

Publicado por MACAM em 20 de janeiro de 2008

Rui Nogueira

O autor participava derecente Bienal do livro em São Paulo, com estande nacionalista, presente a bandeira doBrasil tendo em baixo, em letras bem visíveis, a frase: “Resistir é preciso.”

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Era um ponto animado commuitos jovens circulando e alguns, ao observarem o destaque para o nosso verdee amarelo, perguntaram: “Quero estudar o Brasil. O que devo ler?”

Lembrei-me de Nelson WerneckSodré, com seu livro “O que se deve ler para conhecer o Brasil”. Passei osolhos pelo ambiente da Bienal e pude constatar em meio aos milhares de títulosexpostos em gigantescas instalações de grandes editoras, algumas dominadas porgrupos estrangeiros, ser muito pobre a existência de títulos voltados para acultura e o interesse nacional.

Em dado instante, observeium senhor de meia-idade, parado em frente, perscrutando cada detalhe do local.Após alguns minutos aproximou-se e disse:

-Tomara que vocês consigam!

-Por que diz isto? – perguntei.

-Porque eu não sou brasileiro, apenas moro e trabalho aqui, e na minhaterra não conseguimos resistir. Lá, fizeram tudo o que está acontecendo aqui,inclusive com o apagão. Quando abrimos os olhos não tínhamos mais nada, tudoestava nas mãos de empresas estrangeiras. As transnacionais engoliram tudo.

Ele explicou que éindonésio, e depois encontrei informes de que lá foi o lugar usado como balãode ensaio para implantação da globalização no mundo.

Aquele desconhecido abriuminhas preocupações.

O apagão foi visível e atédivulgado, mas a ocupação, o domínio das nossas empresas é disfarçado epermitem que uma empresa seja considerada brasileira apenas pelo fato depossuir um escritório no nosso país. Várias continuam com o mesmo nome masdominadas pelos interesses estrangeiros e até fazem propaganda enganosa de serembrasileiras apesar de inteiramente controladas pelo exterior.

Precisaria de muito espaçopara enumerar e denunciar a ocupação silenciosa de boa parte dos setoreseconômicos brasileiros.

Tudo que se move setransforma é energia.

O nosso sistema de produçãode energia elétrica é o mais barato do mundo, utilizando hidroelétricas em todoterritório nacional interligada por redes de transmissão e planejadas paracontinuar funcionando mesmo com 5 anos sem chuvas. Bloqueando investimentos nasestatais, proibindo financiamentos do BNDES e segurando aumento de tarifas emépoca de inflação, além de aproveitar a formidável saúde econômica das estataisde energia para obter financiamentos externos usados para os pagamentos dejuros da dívida, sem nenhuma aplicação no setor, o sistema foi fragilizado epermitiu, com a assessoria de consultoria estrangeira (inglesa), a privatizaçãodo sistema.

Observem a ocupação. Asempresas elétricas distribuidoras estatais foram privatizadas a preçosirrisórios. Seguem alguns exemplos: Gerasul oriunda da Eletrosul, federal,comprada pela Tractebel ramo de energia da empresa do cartel das águas Suez.Tietê oriunda da Cesp, estadual de São Paulo para a AES, Gerasul. Coelse,Ceará, com vendas intermediárias hoje na mão da Ampla dita espanhola, mascontrolada por grandes grupos financeiros.

O trabalho de 50 anos dopovo brasileiro a partir da campanha do “Petróleo é nosso”, com a Petrobrásestatal mantendo o país abastecido e desenvolvendo tecnologia pioneira depesquisa em grandes profundidades está passando para as mãos do cartelinternacional do Petróleo (só 32% das ações estão na mão do governo). APetrobrás descobre bacias de petróleo e o investimento e trabalho dosbrasileiros é transferido para estrangeiros terem lucros abusivos em absurdosleilões da ANP em que ela própria ,às vezes, é excluída. Resistir é preciso!

A maior empresa de mineraçãoestatal, desenvolvida com muito trabalho e sacrifício dos brasileiros étransferida por valores insignificantes numa privatização muito questionadainclusive juridicamente. Agora tenta mudar de nome dando a impressão de que éuma empresa brasileira. Estão engolindo tudo. Qual o motivo de mudar adenominação? Fugir da crescente pressão pela re-estatização?

O nosso sistema decomunicações é objeto de sucessivas negociações envolvendo muito dinheiro,concentrando em mãos estranhas todo o sistema. Não precisa ser nenhum estudiosopara constatar a absurda exploração de que somos vítimas. Tarifas enormes eserviços virtuais precários. Temos que “gemer” para pagar as contas quesustentam acionistas distantes. Qual a vantagem?

Comprem óleo de soja sem serda Bunge ou da Cargyll, estrangeiras. É difícil. Mesmo as embalagens que estãocom rótulos de grande supermercado são produzidos pelas duas empresas. Com apalavra o CADE

Até clube de futebol temsido ocupado por transnacionais. Alguns andaram levando um castigo e foramrebaixados! Seria no dizer popular “um castigo de Deus” ?

A seleção brasileira estádominada por uma grande transnacional (Nike). Explorando a paixão brasileirapelo futebol.

Todas estas empresas nãoquerem o nosso bem, querem os nossos bens. Começar a resistir seria só usarcamisas verde e amarela, sem emblema de transnacional.

Resistir é preciso.

Vamos aprender a boicotar asgrandes empresas transnacionais ou estaremos fadados a um grande período deescravidão, mergulhados num sórdido mercantilismo colonial e monetário.

Rui Nogueira

Médico Escritor pesquisador

Correio Eletrônico – rui.sol@ambr.com.br


Áreas (des)protegidas do Brasil: as estâncias hidrominerais

Publicado por MACAM em 15 de janeiro de 2008

Áreas
(des)protegidas do Brasil:
as estâncias
hidrominerais

Alessandra Bortoni Ninis

Mestra em Desenvolvimento
Sustentável, PPGDS-Universidade de Brasília

aleninis@unb.br

José
Augusto Drummond

Ph. D. em Recursos Naturais
e Desenvolvimento, University of Wisconsin, Madison (EUA)

jaldrummond@uol.com.br

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